A inteligência artificial deixou de ser um recurso periférico no esporte e passou a ocupar um papel estrutural em treinos, competições e gestão de desempenho, informa Luciano Colicchio Fernandes. Em 2026, com a Copa do Mundo funcionando como vitrine global de inovação, tecnologias baseadas em IA ganham escala inédita e consolidam uma tendência que já vinha se formando em clubes, federações e centros de alto rendimento.
Esse movimento marca a transição definitiva do esporte para um modelo orientado por dados, no qual decisões passam a ser cada vez mais sustentadas por análises computacionais. Vamos explorar ao longo deste texto como essa abordagem vem transformando a tomada de decisão no esporte.
IA na arbitragem: Da linha de gol aos avatares 3D no VAR
A arbitragem é uma das áreas onde a tecnologia mais rapidamente se consolidou no futebol. Após a introdução da tecnologia de linha de gol e do VAR, a próxima etapa envolve o uso de inteligência artificial para reconstrução tridimensional de jogadas e apoio à tomada de decisão em impedimentos.

Para a Copa do Mundo de 2026, a FIFA anunciou sistemas capazes de criar avatares digitais dos jogadores a partir de múltiplas câmeras e sensores, permitindo análises milimétricas da posição corporal no momento do passe. Segundo Luciano Colicchio Fernandes, essa digitalização representa uma mudança de patamar na arbitragem, pois transforma imagens em modelos matemáticos que reduzem a margem de interpretação em lances objetivos.
IA como ferramenta de análise tática e scouting
Fora da arbitragem, a inteligência artificial vem sendo utilizada para processar grandes volumes de dados de partidas e treinamentos, identificando padrões de movimentação, estratégias recorrentes e desempenho individual e coletivo, evidencia Luciano Colicchio Fernandes. Sistemas de computer vision permitem rastrear todos os jogadores em campo, gerando mapas de calor, sequências táticas e indicadores de pressão defensiva ou ocupação de espaço.
Essa capacidade de leitura automatizada do jogo altera profundamente o trabalho das comissões técnicas, que passam a ter acesso a diagnósticos mais objetivos e comparáveis entre partidas, temporadas e adversários distintos. Essas ferramentas também impactam o scouting, permitindo cruzar dados físicos, técnicos e comportamentais de atletas em diferentes ligas e categorias, o que influencia decisões de contratação e formação de elencos.
Prevenção de lesões e gestão de carga de treino
Outro campo de avanço acelerado é a prevenção de lesões, visto que, a integração entre sensores corporais, plataformas de análise e modelos preditivos de IA permite estimar risco de sobrecarga com base em histórico de esforço, padrões biomecânicos e resposta fisiológica ao treino.
Em esportes de alta intensidade, como futebol, basquete e vôlei, esses sistemas ajudam a ajustar volume e intensidade de atividades, reduzindo afastamentos por lesões musculares e articulares. Essa aplicação é uma das mais relevantes da IA, pois conecta tecnologia diretamente à longevidade da carreira esportiva e à sustentabilidade dos calendários competitivos.
O desafio, nesse caso, está em integrar os dados ao planejamento sem engessar decisões, expõe Luciano Colicchio Fernandes, já que fatores emocionais, contexto de competição e características individuais ainda exigem avaliação clínica e técnica humana.
Limites éticos e necessidade de regulamentação
Com o avanço das tecnologias, surgem também questões éticas e regulatórias: Até que ponto o uso intensivo de dados e algoritmos pode gerar vantagens competitivas desproporcionais entre clubes com diferentes níveis de investimento? Como garantir a privacidade dos dados biométricos dos atletas? E qual é o limite entre suporte tecnológico e interferência excessiva no jogo?
Luciano Colicchio Fernandes demonstra que o esporte vive um momento semelhante ao de outros setores que adotaram IA em larga escala: a tecnologia avança mais rápido do que os marcos regulatórios. Por isso, federações e ligas começam a discutir protocolos de uso, certificação de sistemas e critérios de transparência.
O que há de expectativas para o futuro?
A inteligência artificial já não é um elemento futurista no esporte, mas parte ativa de sua estrutura operacional. Em 2026, ela se consolida como ferramenta de arbitragem, análise, gestão física e planejamento estratégico, ao mesmo tempo em que impõe novos desafios de governança e ética.
Por fim, na avaliação de Luciano Colicchio Fernandes, o principal impacto da IA não está em substituir profissionais, mas em alterar a forma como decisões são construídas, tornando o esporte cada vez mais dependente da capacidade de interpretar dados de forma crítica e responsável. O jogo segue humano, mas passa a ser jogado também no campo dos algoritmos.
Autor: Thesyameda Matnu
