Setor de franchising brasileiro superou R$ 300 bilhões em faturamento em 2025, com alta de 10,5%, e projeta novo ciclo de crescimento em 2026, ampliando a demanda por capital de giro entre franqueadores e franqueados
O setor de franquias brasileiro encerrou 2025 com faturamento superior a R$ 300 bilhões, avanço de 10,5% em relação ao ano anterior, e projeta crescimento de até 10% para 2026, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising. Esse desempenho consolida o franchising como um dos modelos de negócio mais dinâmicos da economia brasileira, caracterizado por redes que combinam a expansão acelerada do número de unidades com a necessidade constante de capital de giro, tanto na ponta do franqueador, responsável por sustentar a estrutura corporativa da marca, quanto na ponta de cada franqueado individual, responsável por administrar o fluxo de caixa de sua própria unidade.
Esse modelo de negócio, no qual dezenas ou centenas de unidades independentes operam sob uma mesma marca e um conjunto padronizado de processos, cria um perfil particular de necessidade financeira. Franqueadores costumam demandar capital para expandir a rede, desenvolver novos produtos e sustentar investimentos em marketing e tecnologia compartilhada, enquanto franqueados individuais precisam financiar capital de giro, estoques e, eventualmente, reformas ou expansão física de suas unidades. Fundos de Investimento em Direitos Creditórios voltados a esse setor têm se consolidado como alternativa relevante para atender a ambas as pontas dessa cadeia.
Recebíveis padronizados favorecem a estruturação de fundos
Uma característica que torna o setor de franquias particularmente adequado à estruturação de FIDCs é a padronização contratual típica desse modelo de negócio. Contratos de franquia costumam seguir modelos relativamente uniformes dentro de uma mesma rede, com royalties, taxas de propaganda e outras obrigações financeiras definidas de forma padronizada para todas as unidades, o que facilita a modelagem de risco e a estruturação de fundos capazes de financiar múltiplas unidades de uma mesma marca sob critérios de elegibilidade consistentes.
Para Paulo Viesti, diretor da ID CTVM, essa padronização contratual representa uma vantagem operacional relevante para a estruturação de fundos voltados ao setor:
“O modelo de franquia tem uma vantagem estrutural para o crédito privado: a rede já opera com contratos padronizados e processos replicáveis entre diferentes unidades. Isso facilita significativamente a análise de risco e a auditoria de lastro, porque o administrador fiduciário consegue aplicar critérios de elegibilidade consistentes a um número grande de operações semelhantes, em vez de analisar cada contrato como um caso completamente individual”
A ID CTVM presta serviços de administração fiduciária e custódia para fundos estruturados que financiam empresas de diferentes setores, incluindo redes de franquias, atuando na validação dos contratos que lastreiam cada operação e no acompanhamento de indicadores de desempenho específicos de cada rede financiada.
Capital de giro sustenta o ritmo de expansão das redes
A abertura de novas unidades franqueadas costuma exigir investimento inicial relevante por parte do franqueado, seguido de um período de maturação até que a unidade atinja seu ponto de equilíbrio operacional. Estruturas de crédito privado que financiam esse ciclo, seja por meio de antecipação de recebíveis de royalties ou de linhas específicas de capital de giro para franqueados, ajudam a sustentar o ritmo de expansão de redes que buscam crescer de forma acelerada sem comprometer excessivamente seu balanço com dívida bancária tradicional.
Esse tipo de financiamento também beneficia franqueadores de menor porte, que muitas vezes enfrentam dificuldade para acessar linhas bancárias tradicionais em condições competitivas, mas que conseguem estruturar operações de crédito privado com base na qualidade e na previsibilidade dos recebíveis gerados por sua rede de unidades franqueadas.
Diversificação setorial reforça o apetite de investidores
O crescimento consistente do setor de franquias, combinado à diversidade de segmentos que operam sob esse modelo, que vai de alimentação e beleza a serviços educacionais e saúde, amplia as possibilidades de diversificação para gestoras especializadas em crédito privado que buscam exposição a diferentes frentes da economia real por meio de um único tipo de estrutura contratual. Essa diversidade setorial dentro do próprio universo do franchising contribui para reduzir a concentração de risco em fundos voltados a esse segmento.
Perspectivas para o próximo ciclo de expansão
Com o setor de franquias projetando novo ciclo de crescimento para 2026 e demandando capital de giro consistente para sustentar sua expansão, a tendência é que estruturas de crédito privado especializadas nesse segmento ganhem espaço como alternativa relevante de financiamento, tanto para franqueadores quanto para franqueados. Para administradores fiduciários, a capacidade de compreender as particularidades contratuais desse modelo de negócio e de estruturar processos de auditoria de lastro compatíveis com sua escala deve seguir como fator relevante de competitividade nesse segmento específico do crédito estruturado brasileiro.
Monitoramento por rede exige visão consolidada do desempenho
Um FIDC voltado ao financiamento de uma rede de franquias precisa acompanhar não apenas a qualidade individual de cada recebível, mas também indicadores agregados de desempenho da marca como um todo, como a taxa de abertura e fechamento de unidades, a evolução do faturamento médio por loja e eventuais mudanças na estratégia comercial do franqueador que possam impactar a rede de forma ampla. Essa visão consolidada permite ao administrador fiduciário identificar precocemente sinais de enfraquecimento de uma marca que possam afetar, de forma sistêmica, a qualidade dos recebíveis de múltiplas unidades financiadas simultaneamente.
Esse tipo de monitoramento agregado diferencia a análise de risco em fundos voltados a franquias da análise aplicada a carteiras pulverizadas entre empresas sem qualquer vínculo entre si, na medida em que problemas específicos da marca franqueadora podem ter efeito cascata sobre o desempenho de dezenas de unidades ao mesmo tempo.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
