A transformação do mercado jurídico está ampliando o conjunto de competências exigidas dos advogados. O Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, acompanha esse cenário diante das mudanças que vêm alterando a formação e a atuação dos profissionais do Direito. O domínio técnico continua sendo essencial, mas novas tecnologias, mudanças regulatórias e demandas empresariais mais complexas aumentam a importância de habilidades relacionadas à estratégia, comunicação, análise de dados e uso responsável da inteligência artificial.
Leia mais a seguir!
O conhecimento jurídico continuará sendo suficiente?
A formação jurídica permanece como base da profissão. Interpretar normas, compreender jurisprudência, construir argumentos e identificar consequências jurídicas continua sendo indispensável para uma atuação consistente. O que muda é a quantidade de informações e a velocidade com que elas precisam ser analisadas. Nesse cenário, a atualização constante passa a ter papel ainda mais relevante, já que novas decisões, alterações legislativas e entendimentos podem modificar rapidamente a análise de um caso.
A inteligência artificial pode auxiliar em tarefas de pesquisa e organização, mas não substitui a capacidade de compreender o contexto de cada caso. O advogado precisa avaliar se uma informação é pertinente, identificar possíveis contradições e decidir qual interpretação é mais adequada à situação analisada. Essa conferência exige conhecimento técnico para reconhecer possíveis falhas e evitar que uma resposta automatizada seja utilizada sem a devida verificação, especialmente em situações que envolvem decisões relevantes para o cliente.
O Doutor Gilmar Stelo, referência em atuação estratégica no Direito, considera que essa combinação entre conhecimento técnico e capacidade de análise tende a ganhar importância. Quanto mais ferramentas automatizam tarefas operacionais, maior pode ser o valor atribuído às competências que exigem julgamento profissional. A capacidade de interpretar cenários, avaliar riscos e construir estratégias também permite que o advogado utilize a tecnologia de maneira mais consciente, aproveitando seus recursos sem deixar de exercer o papel central na tomada de decisões jurídicas.
Por que saber trabalhar com tecnologia será importante?
A tecnologia já participa de atividades como pesquisa jurídica, análise documental, organização de informações e automação de tarefas. O advogado não precisa necessariamente se tornar especialista em programação, mas precisa compreender o funcionamento básico das ferramentas que utiliza e reconhecer suas limitações. Esse conhecimento permite escolher recursos mais adequados para cada atividade e compreender quando uma tarefa exige maior intervenção humana.

Segundo o Doutor Gilmar Stelo, isso inclui saber formular comandos adequados, conferir respostas produzidas por sistemas de IA e avaliar os riscos relacionados ao uso de dados. Uma ferramenta que economiza tempo pode gerar problemas se o resultado for utilizado sem revisão ou se informações sigilosas forem inseridas de maneira inadequada. Por isso, o domínio tecnológico também envolve critérios de segurança, conferência e responsabilidade, evitando que a busca por produtividade comprometa a qualidade ou a proteção das informações jurídicas.
A capacidade de pensar estrategicamente ganhará espaço?
Outra habilidade importante será compreender o impacto das decisões jurídicas sobre os objetivos do cliente. O advogado estratégico não analisa apenas a existência de um direito ou obrigação. Ele também considera riscos, custos, prazos, alternativas e possíveis consequências de cada caminho. Essa perspectiva permite avaliar diferentes possibilidades antes de recomendar uma medida, considerando não apenas a solução jurídica, mas também seus efeitos sobre a realidade do cliente.
De acordo com o Doutor Gilmar Stelo, essa capacidade exige visão mais ampla sobre negócios e organizações. Em uma empresa, por exemplo, uma decisão jurídica pode afetar contratos, operações, investimentos, relações trabalhistas e planejamento financeiro. Compreender essas conexões ajuda o profissional a apresentar soluções mais adequadas ao problema enfrentado. A leitura integrada dessas áreas também favorece uma atuação preventiva, capaz de identificar impactos que poderiam surgir apenas depois da tomada de uma decisão.
A comunicação também está diretamente ligada a essa competência. Saber explicar uma questão jurídica de maneira clara para alguém que não possui formação em Direito pode ser tão importante quanto dominar a legislação aplicável. O conhecimento só produz valor quando consegue orientar uma decisão. Uma comunicação objetiva facilita a compreensão dos riscos e das alternativas disponíveis, permitindo que o cliente participe das escolhas com maior clareza sobre as possíveis consequências de cada medida.
